terça-feira, 30 de setembro de 2014

O Ressurgir do Passado- Vale do Jacareí

Casa que reapareceu com a diminuição da água
Assim como esperado no ano de 1880 o vale do Jacareí, situado no município de Joanópolis no Estado de São Paulo, foi inundado pelo represamento de suas águas. A construção do lago do Jaguari-Jacareí foi iniciada em 1977 e contou com cerca de 1.100 operários. Tal vale que possuía grande importância estratégica, econômica, social e produtiva.
As terras altamente férteis do local permitiam as famílias viver da agricultura e da pecuária. As inúmeras olarias espalhadas resumiam a importância e a alta valorização do barro do Jacareí.
Cruzando por essa terra rica existiam duas estradas, uma ligando Joanópolis a Piracaia e outra ligando Bragança Paulista a Joanópolis. Ambas sinuosas e margeadas pelos rios tendo em cada curva uma barricada para evitar que as águas a inundassem.
Antiga Estrada Joanópolis\Piracaia
Os moradores locais já conheciam o potencial da região e em futuro bem distante já se acreditava e se falava no seu represamento.
E um dia esse futuro tão distante se tornou realidade.  As pouco mais de mil famílias já sentiam que o seu fim estava próximo. E para fomentar ainda mais essa ideia, por volta de 1975 é iniciada a desapropriação pelo advogado da Sabesp, munido no Decreto-Lei nº 3.365, de 21 de junho de 1941. (MORAIS, 2010, p.70)
Nível do Rio Jacareí
Segundo Morais (2010, p. 79), na época da desapropriação o advogado da Sabesp chegava e avaliava a propriedade e em seguida fazia a oferta, se o proprietário aceitasse em poucos dias o valor seria debitado, caso contrario ele teria que brigar por longos anos na justiça. Mas o medo de perder suas terras para o governo fazia que muitos aceitassem a proposta.
Alguns proprietários, com um pouco mais de instrução, vendo uma apreciação maior das propriedades com algum tipo de agricultura começaram a plantar para aumentar o valor de suas posses.
Entrada de uma antiga propriedade
Embalado pela briga na justiça e pela falta de documentos que comprovassem a pose da terra, muitos proprietários ainda não receberam o valor prometido e esperam a decisão judicial para receber a indenização. (MORAIS, 2010, p. 93)
Então a sonhada benfeitoria do Governo se concretizou, a construção da maior represa do Sistema Cantareira. As maquinas vieram, cortaram as árvores e boa parte da vegetação para que a mesma não consumisse o oxigênio da água. Algumas casas foram demolidas pelos próprios proprietários, outras foram inundadas.
Restos de Construção
O jornal da época (Estado de São Paulo, 22/05/1980) já anunciava que as duas estradas que ligavam Joanópolis aos outros municípios iriam desaparecer do mapa e com ela o vale do Jacareí, gerando a necessidade da construção de outras estradas. Assim nasceu a estrada Entre Serras e Águas (Estrada dos Bandeirantes), ligando Joanópolis, a Bragança Paulista, e a estrada entre Joanópolis e Piracaia, ambas contempladas com a belíssima vista do represamento do Jaguari-Jacareí.
A construção da represa foi uma das grandes propulsoras do turismo municipal, uma vez que mais de dez pousadas foram instaladas ao seu redor e os hospedes e turistas praticavam o turismo de aventura, turismo náutico e turismo de pesca. Além da bela vista ser o cartão postal do turismo ela foi utilizada para aumentar a especulação imobiliária.
Na época a região da Serra da Mantiqueira já era denominada como sertão, dado pelo período de estiagem e de grandes chuvas. A última seca foi no ano de 2001, que fez renascer parte das estradas perdidas.
Pequenas poças que compõe o atual nível da represa
Já a seca mais atual está acontecendo neste instante, uma das piores da história. Em virtude disso o tema da 7º Semana do Meio Ambiente de Joanópolis teve como tema a seca. Movidos pelo caráter histórico, ambiental e social do vale, foi agendado uma caminhada no sábado de manha (07/09), conduzida pelo técnico e engenheiro ambiental Diego Toledo.
Por mais incrível que possa parecer às estradas que cortavam essa região no passado ressurgiram, e com elas todas as lembranças do passado emergido pela água.
A estrada renasce como se o tempo não estivesse corrido, as antigas pedras, antigas pontes e antigas barragens ressurgem como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse passado mais de 30 anos do seu desaparecimento. Com a seca ressurgem as antigas cercas, muros, pastagens, portais de propriedades, casas e vestígios de construção.
Um erro histórico, ambiental e social não seria apagado facilmente como se nada tivesse ocorrido. A seca evocou as lembranças desse período, mexeu na ferida que não se cicatrizou e trouxe a outras problemáticas.
Na tese de mestrado da então Professora Me. Marta Aparecida de Oliveira de Morais ela conclui com a seguinte reflexão:
O país exige que a sociedade se prive, muitas vezes de seus territórios, de seus valores históricos, afetivos e culturais, em favor do desenvolvimento econômico. A construção de represas tem como objetivo atender um grande número de pessoas, porém uma minoria tem que “abandonar” seus “lugares” em favor dessa maioria; o grande problema está na troca de benefício, no qual muitas pessoas nada receberam em nome desse desenvolvimento, ou ainda aguardam a decisão da justiça para receber indenizações. (MORAIS, 2010, p. 93)
Área que era toda coberta por água
Tal reflexão nos remete novamente ao passado. Assim como falado anteriormente o erro não seria apagado com o tempo, o que o tempo pode ter feito é amenizado os seus impactos, mas agora o que antes foi sinônimo de progresso e desenvolvimento estadual e federal, não passa de um mero campo aberto a espera da chuva.
Fazendo uma analogia ao campo aberto a espera de chuva está à memória das antigas famílias, que possuem uma ferida aberta a espera de respostas e soluções.

AGRADECIMENTO
Gostaria de agradecer a Professora Me. Marta Morais que com grande empenho me auxiliou e me enviou a sua tese de mestrado que possui como titulo “O Sistema Cantareira e a análise de impactos socioambientais da construção da represa do Jaguari-Jacareí, São Paulo.”. Tal apoio foi essencial para construir essa matéria.
Também gostaria de agradecer ao Técnico e Engenheiro Ambiental Diego Toledo por conduzir o grupo até a antiga estrada, e pela riqueza de informações de caráter histórico, ambiental e social do local.


Matéria Publicada na Revista Bragantina On Line.

















REFERÊNCIAS

MORAIS, M.A.O. O Sistema Cantareira e a análise de impactos socioambientais da construção da represa do Jaguari-Jacareí, São Paulo. 2010. 105p. Dissertação de Mestrado. Pontifica Universidade Católica de São Paulo, São Paulo.



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Ciclo do Café- Vestígios do Passado

Porta da Fazenda Córrego das Pedras
O café possuiu uma grande relevância na história do Brasil e em especial na história do estado de São Paulo. O Ciclo do Café deixou no tempo as suas marcas, bem como na arquitetura e principalmente na memória das famílias.
O Ciclo começou nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro em meados do século XIX, assim como na região bragantina. Já no município de Joanópolis, conhecido anteriormente como São João do Curralinho, as primeiras fazendas cafeeiras apareceram por volta de 1898.
A Fazenda Córrego das Pedras, atualmente denominada Vale dos Lagos, começou a ser construída no inicio do século XX, pertencendo à família Ricanello. No ano de 1927, ela foi comprada pelo italiano Caetano Zappa.
Fazenda em meados de 1928
O Sr Caetano Zappa chegou a Joanópolis no ano de 1906 e abriu um armazém no centro da cidade. A prosperidade do armazém e a alta valorização das plantações de café culminaram na compra da fazenda. Na época, a fazenda possuía cerca de 110 alqueires, 10 casas de colonos (em sua maioria, brasileiros) e um pouco mais de 60 mil pés de café. Além disso, a fazenda possuía uma olaria e praticava a pecuária e a suinocultura que auxiliavam no abastecimento do armazém da cidade.
Antigos Arados
O café, ou melhor, o “ouro negro” de Joanópolis e região, era bem valorizado no mercado exterior, o que permitiu aos fazendeiros adquirirem inúmeros bens e imóveis. A prosperidade da região era tão grande que o primeiro teatro do estado de São Paulo foi construído no município de Bragança Paulista, pelos fazendeiros da região. Já o município de Joanópolis possuía cerca de 20 mil habitantes, sendo que atualmente possui 12 mil. À época do café, a cidade possuía dois cinemas, casas de dança e diversas outras opções de lazer.
Reserva Nativa da Fazenda
Um dos fatores que impulsionava a riqueza da região era a Estrada de Ferro Bragantina, que foi inaugurada em 1884. A estrada de ferro era ligada com o ramal de Campo Limpo e possuía cinco locomotivas a vapor Kitson de fabricação inglesa, ligando os municípios de Atibaia, Bragança Paulista, Vargem e Piracaia.
Dr. Dirceu Zappa
Segundo o Dr. Dirceu Zappa, neto do Sr. Caetano Zappa, o café era colhido, colocado para secar no terreiro e levado até a túlia, e o transporte era feito através de carros de boi e mulas até Piracaia e de lá partia de trem até Campo Limpo e ainda de trem para o Porto de Santos.
O Ciclo do Café começou a declinar no ano de 1929, pela baixa valorização no exterior, com a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, acarretando na compra do produto pelo governo brasileiro e, posteriormente, na queima de milhares de sacas excedentes pelo então presidente Getulio Vargas, com o intuito de garantir o preço.
Antigos Tijolos da Fazenda
Já na Fazenda Córrego das Pedras, por volta de 1956, o Banco do Brasil financiou o corte dos cafezais, ocasionando a interrupção da produção de café e com isso o abandono das dependências da fazenda.

Tulia de Café
Atualmente a fazenda, com cerca de 22 alqueires, abriga a Pousada Vale dos Lagos. Segundo o Dr. Dirceu Zappa , depois do café, a casa sede da fazenda serviu de moradia para alguns integrantes da família.
No local é possível visualizar que a mata nativa permanece intocada e exuberante desde os tempos do café, levando a considerar que esse é o maior patrimônio ainda de pé. Porém, a casa sede e as dez casas dos colonos já foram modificadas.
Mata Nativa
Das casas dos colonos quatro estão de pé, três foram modificadas e são usadas para hospedagem de hóspedes e uma continua praticamente intocada, porém, será alterada em breve para ser utilizada como meio de hospedagem.
A casa sede se encontra bem alterada. Segundo o Dr. Dirceu, todos os quartos tinham a saída para a sala, porém, quando ele habitou na residência foram construídos mais alguns cômodos e modificadas a saída dos quartos para aperfeiçoar a dinâmica do espaço. Outra alteração executada há pouco tempo  o telhado original, que já não estava suportando “o peso do tempo”, acabou sendo trocado.
Terreiro de Secagem do Café
No terreiro de lajota, a antiga túlia já cedeu e parte do terreiro já perdeu espaço para uma piscina. Os antigos 110 alqueires da fazenda hoje já cederam espaço para escolas, igrejas, estradas, loteamentos, oficinas, fábricas, casas e chácaras.
Do passado só restou a memória e alguns vestígios que o tempo irá apagar no futuro próximo. Vestígios estes que evocam o passado de glória, riqueza, tristeza e pobreza, faces oscilantes promovidas pelo tão cobiçado “ouro negro”.
Casa Sede
A marcha do progresso oprime o passado e o obriga a desaparecer. O velho dá lugar ao novo, ao mais eficiente, ao mais forte e mais produtivo, um ciclo sem fim e sem volta que deixa apenas memórias órfãs, sem ter em que se basear no mundo real.
Casa dos Colonos
O progresso esmagador arranca as raízes culturais e históricas de um povo. Extermina da face da Terra o que um dia foi sinônimo de orgulho e sentido de existir, ou simplesmente um fato histórico que explica de forma sucinta tudo aquilo que se vive no presente, cabendo assim às famílias tradicionais renderem-se ao progresso.
Sem meios para preservar e disseminar o patrimônio é chegada a hora de transformá-lo em algo novo e produtivo, deixando no espaço e na memória os vestígios do passado.

AGRADECIMENTOS
Agradeço a Fotógrafa KK. Alcovér que com grande empenho conseguir registrar os “Vestígios do Passado”, agradeço também ao Dr. Dirceu Zappa por conduzir essa viagem ao passado. Ambos foram triviais e ajudaram na riqueza de detalhes desta matéria.
Também agradeço a equipe da Pousada Vale dos Lagos por nos receber e autorizar a veiculação desta matéria. Por ultimo, mas não menos importante, gostaria de agradecer ao Silvio Alvarez que sempre auxilia na correção das matérias.
O Blog A Arte do Turismo e da Hotelaria fica lisonjeado por poder contar com essa equipe tão competente. Obrigado!


Referências

ARAUJO, Felipe.  Ciclo do Café. Disponível em: https://www.infoescola.com/historia/ciclo-do-cafe. Acesso em: 09 Setembro 2014.

BRAGANTINA, Estrada de Ferro.  A São Paulo Railway. Disponível em:  http://www.estradadeferrobragantina.com.br/spr.htm. Acesso em: 09 Setembro 2014.

SÃO PAULO, Governo do Estado de.  Guia do roteiro do café. São Paulo: Governo do Estado, 2001.


Veja todas as fotos deste trabalho, tiradas pela fotógrafa KK. Alcovér.



CONTATO:
A Pousada Vale dos Lagos está situada no município de Joanópolis/SP, a mais ou menos 90 min da capital Paulista.
Acompanhe o site da Pousada: http://www.valedoslagos.com.br/
Ela oferece 3 chalés para hospedagem com um ótimo preço.

Matéria Publicada na Revista Bragantina On Line












Matéria Publicada no Jornal O Registro 
Acompanhe
http://issuu.com/jornaloregistro/docs/284

sábado, 13 de setembro de 2014

Turismo de Eventos, Crescendo cada vez mais- Por Alexandre Quintino



Imagens Retiradas da Internet

O Turismo de Eventos ganhou espaço insubstituível na economia turística do país, seu aumento o torna importante e com uma colocação privilegiada para que seu faturamento seja total, fazendo com o que o Brasil se destaque entre os outros países. Os investimentos são grandes para atender toda a demanda e agradar a todos. Dessa forma, voltar outras vezes e trazer outras pessoas para conhecer e desfrutar o que o país tem de melhor, além de nossa beleza natural e um clima tropical, faz com que o evento seja um momento único na vida de quem por aqui passa e lucrativo para quem o organiza.
Imagens Retiradas da Internet
Imagens Retiradas da Internet
Grandes eventos atraem pessoas do mundo todo, mesmo sendo pouco tempo de duração, bem como shows, feiras, congressos, palestras exclusivas e entre outros. O Brasil é o atual país dose grandes eventos, assim como o Rock in Rio, Lollapalooza, Tomorowland (que é o maior evento de musica eletrônica do mudo), as Olimpíadas que ocorrerão em breve. Tais eventos mostram que somos um país capaz de comportar grandes eventos, fazendo com que o mundo conheça nossa cultura, gastronomia e também um pouco de nossa história e mostram como somos um povo receptivo.
Imagens Retiradas da Internet
 Estamos no ranking dos países mais procurados da América latina para sediar os principais eventos, e de alguma forma espalhamos os acontecimentos por toda a nação para que não se concentre só em uma cidade e sim nas principais. Os empresários percebem a atração e diferenciação e seu público está de acordo com o tipo de evento, fazendo um jogo de marketing, movimentando o setor turístico como um todo. E o país só ganha porque a cada ano vêm se fazendo vários tipos de eventos para cada época do ano, e as pessoas se programam com antecedência e escolhem a qual evento ir e a qual preferem. Gerando um clima e envolvimento em todo o processo que vai culminar no prazer das pessoas em fazer delas a peça principal desses acontecimentos turísticos, pois sem dúvidas, é necessário pensar no bem estar das pessoas para assim fazer juz ao evento.
Imagens Retiradas da Internet
             Isso é, no entanto, um processo de vários meses e envolve uma equipe muito grande de profissionais para que tudo saia da melhor forma possível, não é fácil para os turistas saírem de longe para prestigiar um evento e ele não ter o resultado desejado por elas. Pensando nisso, o setor turístico tem a obrigação de ter certo cuidado ao realizar eventos que podem ser o sonho de muitos, uma realização única e que eles levem para uma vida toda. Ser profissional de turismo de evento exige muita dedicação, precisa-se estar atento e dar o melhor de si para que seja gratificante para ele e para quem curte o evento.  As pessoas desse segmento estão preparadas para fazer o melhor e de fato o Brasil é o país onde é possível fazer um pouco de tudo com qualidade e confiança, a prova está ai, o país do investimento cada vez nos surpreendendo e aprendendo que a prática e a teoria são fundamentais para que tudo saia bem e traga lucros diversos.


Sobre o Autor
Alexandre Quintino
Nasci em Arapiraca/AL ,cursei o ensino médio no colégio santíssimo senhor, sou Bacharel em Turismo pela Faculdade de Ensino Regional Alternativa FERA, onde realizei o trabalho de conclusão de curso como o tema TURISMO SEM EXCLUSÃO UMA PROPOSTA DE INCLUSÃO DE DEFICIENTES COM AS PRATICAS TURÍSTICAS .
Atualmente faço pós em Recursos Humanos e também um curso de eventos que me identifico muito nessa área de eventos onde pretendo atuar e dedicar minha vida profissional, como em outros segmentos do turismo. O turismo adaptado e acessível para todos, cultural e ecoturismo.
Espero que todos tenham uma boa leitura que conhecimento e essencial para todos nós. Revisada pela estudante de jornalismo Mara Santos.
  
Contato: alexandre.aqs@hotmail.com

REFERÊNCIAS
CARVALHO, V. F. Evento discutiu o investimento em hotelaria no Brasil. Disponível em < http://ecoviagem.uol.com.br/noticias/turismo/encontros-e-eventos-de-turismo/evento-discute-investimentos-em-hotelaria-no-brasil-17856.asp> Publicado em: 2 de maio de 2014.
TURISMO, Ministério do. Noticias Eventos. Disponível em< http://www.turismo.gov.br/turismo/noticias/todas_noticias/20140827_2.html> Publicado em: 2013