terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Diário de um Garçom

Arte Silvio Alvarez, http://silvioalvarez.blogspot.com.br/
Muitas pessoas já trabalharam ou vão trabalhar de garçom, a profissão é bem peculiar, exigindo certa destreza, discrição, agilidade, desenvoltura e outras qualidades a mais para executar a arte em alguns locais.
Em alguns restaurantes mais refinados é necessário alguns requisitos a mais, por exemplo, possuir conhecimentos sobre os serviços, idiomas e tratamentos. Por conta disso, existem inúmeros cursos e especializações. Saindo do ônus da qualificação, vamos mergulhar no universo enigmático, trabalhoso e corrido que é o dia a dia do garçom.
As funções do cotidiano dos garçons são várias, dependendo do lugar onde se trabalha. Entre elas está arrumação das mesas, organização do salão, organização dos réchauds (fogareiro de metal, em prata ou inox, usado para manter a comida quente num buffet), atendimento de mesas, auxílio no bar, limpeza da mesa, limpeza do salão e outros. O cotidiano de um garçom geralmente compreende essas atividades em ordem cronológica.
Mas, em especial, o mais interessante nesta profissão são os clientes. Particularmente, somos estudantes de antropologia na prática, pois lidamos com diferentes idiomas, gostos, culturas, níveis sociais e, principalmente, com humores e personalidades diferenciadas.
Quando a profissão é realizada no restaurante de um hotel, algumas características nos hóspedes são mais ressaltantes, como exemplo, notam-se os distintos tipos de hóspedes, dos humorados, os animados, os agitados, os mal-humorados e os exigentes.
O mais interessante é que nós somos as pessoas que sabemos mais dos hóspedes do que os outros funcionários, mas não porque nós perguntamos e sim porque quando atendemos as mesas ouvimos inúmeras histórias e as conversas dos mesmos.
Às vezes não queremos ouvir, mas mesmo assim ocorre. Nesse ouvir detalhes cortados de conversas acredito que nos deparamos com alguns relatos bem intrigantes, entre eles brigas de casais e discussões, piadas entre os hóspedes, comentários sobre as outras mesas. Um bem interessante que ouvi recentemente foi mais ou menos assim:
 Estava na mesa o pai, mãe, sogra, genro e filha, presenciei a conversa no momento que fui tirar o pedido de bebidas:
- Genro: Amor você acha que sou louco?
- Filha: Não, louca sou eu por ter casado com você!
Sim, foi bem engraçado. Claro que já conhecia os hóspedes da mesa e já tinha um contato maior, mas mesmo assim fiquei sem jeito.
Ainda nessa mesa presenciei outra conversa no momento que fui retirar os pratos:
- Genro: Vocês vão subir agora?        
- Filha: Por quê? Você vai subir soltar o barro?
Esse já foi um pouco constrangedor, mas ao mesmo tempo bem engraçado. Lembro-me que eles olharam e falaram que se eu fosse escrever um livro sobre isso iria ficar rico, que só ali daria umas 10 páginas, a partir disso rimos juntos.
Apesar dos constrangimentos, a relação que criamos com alguns hóspedes e clientes é realmente extraordinária. Criamos um laço de tal forma que sentimos falta dos mesmos quando se vão, às vezes a relação é tão bacana que espelhamos os outros neles.
Claro que também existem àqueles chatos e bem exigentes, que não dão um bom dia ou uma boa noite, mas mesmo assim todos eles são bons aprendizados. Por essa razão que é necessária certa desenvoltura, pois lidar com diferentes perfis de públicos requer uma cautela.
As gratificações vindas dos elogios dos clientes são sempre bem vindas e acolhidas com grande satisfação, bem como as críticas, pois ambas servem como aprendizado. Mesmo assim, a tão famosa e desejada caixinha também é sempre bem vinda, saliento que em alguns países a caixinha é obrigatória culturalmente (consulte na internet antes de viajar).
Para aqueles que já trabalharam nessa profissão espero que tenham se reconhecido e simpatizado com os relatos expostos, mas mesmo assim existem inúmeras histórias que cada garçom leva consigo. A profissão possui atividades no dia a dia que são legais de realizar e outras nem tanto, mas acredito que o diferencial desses profissionais é o relacionamento ímpar com o público, afinal o garçom é o cartão de visita de qualquer restaurante.
Materia Publicada Na Revista Bragantina Online


https://www.scribd.com/doc/252859693/Revista-Eletronica-Bragantina-On-Line-Janeiro-2015
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