sábado, 28 de março de 2015

Lobisomem, mito e comércio- Caso Joanópolis/SP

Quadro, Lua- Silvio Alvarez. Exposto no 13º Festival
Nacional do Saci/ Botucatu/ SP
O caso do sumiço do lobisomem da Estância Turística de Joanópolis/SP foi matéria em todos os meios de comunicação, todo mundo soube, gente do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, enfim, o Brasil agora sabe da Capital do Lobisomem.
Mito esse que auxilia a cativar os turistas e os envolve em um clima lúdico e curioso. Ao andar pelas ruas da pequena Joanópolis é possível ver vários desses lobisomens espalhados pelo comércio, um mais criativo do que o outro, que convidam os visitantes a tirar uma foto.
13º Festival Nacional do Saci/ Botucatu.
O sumiço do lobisomem da entrada da cidade virou polemica e trouxe mais olhares para a cidade. Mas se torna intrigante analisar que a cidade só dispõe de alguns desses personagens espalhados pela cidade, lembranças no seu nome e quitutes em sua homenagem, mas o verdadeiro motivo para cidade ser conhecida assim poucos sabem.
Talvez esse mito tenha sido bem explorado no passado, mas no contexto atual ele já perdeu força, ainda mais com o fechamento da Casa do Artesão. Se nem os próprios moradores sabem o porquê da lenda, quem dirá os turistas.
O mito está se tornando algo comerciável, está perdendo seu aspecto educativo e de salvaguarda do folclore, quando isso ocorre é sinal que a turistificação o atingiu e, transformou seus valores, o transformando em mera encenação para gerar lucro e iludir turistas.


Coluna Publicada em:
Jornal O Registro- Sul de Minas e Região Bragantina- 28 de março de 2015.

quarta-feira, 18 de março de 2015

A Turistificação dos Destinos- O turismo como elemento mercadológico

Ao longo dos anos vimos às cidades com maior potencial turístico, se modificando para captar mais e mais turistas. Se transformando em virtude do dinheiro que esses turistas vão trazem, sem pensar, muitas vezes, no impacto que vem com esses turistas.
Impactos que poderão ser sentidos com a vinda dos turistas, ou até mesmo esses impactos podem ser sentidos antes da vinda dos turistas. Exemplos claros disso é o Brasil, que durante as reformas e construções para Copa do Mundo FIFA de 2014, despovoou inúmeras áreas do entorno dos estádios, demoliu museus para construir estacionamentos, aumentou a especulação imobiliária e além de tudo elevou os preços.
Outro exemplo bem claro e mais atual é a construção e reforma do Porto Maravilha no Rio de Janeiro, que por sua vez é a maior obra feita entre poder público e privado, e bem como as obras da Copa, essas obras também estão deixando famílias sem casa, impactando no transito, alterando o cotidiano dos moradores e, sobretudo alterando a cultura local.
Imagem Retirada da Internet
Tudo isso para que? Às vezes me pergunto por que o Brasil quer tanto maquiar seus defeitos, esconder seus contrastes, padronizar a sociedade e, sobretudo, fingir que somos um país perfeito. E o turismo empossado nas mãos de pessoas inexperientes vira mero recurso mercadológico, tendo apenas como função gerar lucro e encher os bolsos da pequena minoria elitista.
Torna-se controverso, ao analisar essas mudanças se prevê a retirada de bares, hospedagens e restaurantes, por grandes redes multinacionais, que como o nome já diz estão em boa parte dos países. Mas tudo isso para que? Estamos nos igualando às outras potencias?
Óbvio que não, o turismo é movido pela curiosidade, pelo novo, pelo pitoresco e singular. Quando deixamos de ter algo de diferente para mostrar nos tornamos mais um em tantos outros, nos tornamos pertencentes a uma massa capitalista padronizada.
A cultura do povo foi substituída pelo consumismo, o bar que servia a culinária típica brasileira e tinha roda de samba foi trocado pelo Mc Donald, o samba e o funk carioca foi trocado pelo pop, a hospedaria de característica hospitaleira e familiar do Brasil foi trocado pelas grandes redes de hotel.
Mas tudo isso, é claro, em nome do desenvolvimento e em nome do progresso. Mas o progresso e desenvolvimento de quem? Para quem? Para o multinacional que quer aumentar mais ainda sua renda? Ou para o politico que quer aumentar a sua aposentadoria? Pois se analisar as maneiras do pobre ganhar dinheiro estão sendo trocadas, alias ele nem pode ficar perto dos turistas.

Pois o Brasil é o país das pessoas ricas, fundadas em conceitos e cultura dos Estados Unidos, França, Itália, Inglaterra, Espanha, Portugal e de tantas outras sociedades. Na realidade o que os administradores querem passar de imagem do Brasil é que não temos identidade, mas sim, somos padronizados, e o turismo também pode servir a essa visão mercadológica.

Para quem não conhece o Projeto do Porto Maravilha:


segunda-feira, 16 de março de 2015

Massificação Turística e Planejamento

Ao longo dos anos o papel dos turismólogos vem sendo mais evidente na sociedade contemporânea. Quando se analisa o turismo exacerbado, sem planejamento e massivo na faixa litorânea, afere-se a necessidade de um profissional que seja capaz de reorganizar e planejar essa realidade.
O litoral no período de final de ano se torna um caos, ressalvam-se algumas praias da alta sociedade que possuem um profissional que organize a apropriação do espaço. Quando se menciona a apropriação do espaço podemos utilizar como exemplo a Praia Grande de Ubatuba, situada no estado de São Paulo.
A praia é praticamente um típico local onde a organização não é predominante, uma vez que é possível visualizar uma massificação do número de turista, que acarretam no trânsito, filas nos mercados, bancos, lojas, açougues, barracas, bares e outros. Além disso, embalado pelo grande número de turistas, proporcionalmente aumenta o número dos famosos “camelos”, que procuram vender seus produtos e sobreviver a partir disso, mas os mesmos são estimuladores da pirataria, não pagam impostos e o seu grande número dificulta a fiscalização.
Outro impacto do turismo massivo pode ser sentido na virada do ano. Todos sabem que o sudeste do país e outras regiões estão sendo fortemente afetados pela estiagem e, as cidades que recebem muitos turistas, sejam nas casas de veraneio, segunda residência, hotéis, resorts e outros meios de hospedagem não conseguem atender a demanda com água, esgoto e energia elétrica, ou seja, a infraestrutura básica turística.
Retornando ao planejamento da Praia Grande de Ubatuba, é possível elencar o perfil do turista. Em sua maioria os turistas que frequentam essas praias massificadas são àqueles pertencentes à Classe C, que frequentemente compram os alimentos, objetos e outros insumos em seus municípios e levam ao litoral.
Além disso, os mesmos levam esses insumos para a praia, os famosos “turistas isopor”. O problema é que o município receptor sofre um giro econômico menor, uma vez que o turista não gera tantas divisas no município se privando de gastar no comércio local.
Ressalta-se também que os preços dessas épocas de temporadas são abusivos, mas a explicação desse aumento significativo do preço na alta temporada reside no fato do aumento da demanda, gerando uma necessidade no reajuste da oferta, uma vez que há muitos turistas. Além disso, os preços sobem para suprir os períodos de baixa temporada, na qual os comerciantes também são obrigados a custear seus impostos e contas.
Ilustração: Foto colagem do Artista Plástico
Silvio Alvarez (E-mail: silvioalvarez@uol.com.br). 
O “turista isopor” também é aquele que vai à praia e deixa o seu rastro de sujeira. Geralmente, nas cidades onde há a massificação do turismo existem campanhas para que o turista leve consigo ou deposite em uma lixeira os resíduos produzidos. Contudo, dado a quantidade de turistas, as campanhas perdem força e o lixo é apenas mais um integrante da degradação ambiental.
Vale ressaltar que o turismo no litoral é realizado em uma área natural, na qual existe vida marinha e terrestre, além de toda configuração espacial natural, bem como o mar, pedras, mata nativa e outros elementos. E o turismo massivo danifica esse meio de diversas formas, seja pela urbanização forçada, despejo de dejetos, ocupação do solo e outros diversos fatores.
Esta problemática vivenciada no turismo de massa litorâneo é reaplicada a inúmeras cidades do mundo, que também sofrem com a falta de planejamento.  O planejamento é algo trivial, para que seja possível garantir a utilização do espaço por mais tempo, bem como o seu bom funcionamento, pautando nos princípios da sustentabilidade.

Quando o curso de Bacharel em Turismo foi criado por volta da década de 70, em meio a Ditadura Militar, o seu principal objetivo era capacitar profissionais para planejar a atividade turística. Contudo, a sociedade pouco aderiu a esse novo profissional e as consequências podem ser mensuradas no contexto atual.

Conheça o Turista Isopor:


Coluna Publicada em:
Revista Bragantina On Line- Edição de Março
de 2015.








Veja Mais em:
https://sites.google.com/site/revistabragantinaonline/

sábado, 7 de março de 2015

Parque do Japão- Maringá/PR

Em uma visita Técnica do curso de Bacharel em Turismo da Universidade Estadual Paulista- UNESP, Campus de Rosana, tivemos o privilégio de conhecer as instalações do Parque do Japão.
Situado no Município de Maringá, no estado do Paraná, o Parque do Japão é um local encantador e muito receptivo. Segundo o site Oficial do Parque, a sua criação inicia-se com “O projeto do Parque do Japão Memorial Imin 100 - surgiu em 2006 com a finalidade de homenagear todos os imigrantes que se estabeleceram em Maringá, em especial os japoneses que, no ano de 2008 completou 100 anos de Brasil.” [...]
O local é singular, não é possível encontrar no Brasil algum outro espaço com as mesmas características. Segundo o guia do Parque parte da Flora foi trazida do Japão, bem como os matérias de construção das instalações e em especial todas as mais de 100 carpas do Parque.
Para ele o ato de trazer essas inúmeras coisas diretamente do Japão esta associada ao fato de que assim se traz um pedaço do país de origem de muitos imigrantes para o coração de Maringá/PR. Além disso, coisas com a finalidade de construção, não podem ser encontradas no Brasil e, o local buscou seguir as características das construções japonesas.
O parque foi todo embasado no projeto feito por arquitetos e engenheiros do Japão, que por sua fez projetaram uma maquete, a qual está em exposição nas dependências do parque.
Devido a geografia da região, o parque possui inúmeros pontos de vista e quando visto de um local diferente apresenta novas configurações, o que podemos dizer que é um paraíso para os fotógrafos que procuram ângulos diferentes.
O local é bem arborizado com arvores típicas, além de possuir lagos com carpas, pontos de descanso, uma casa de chá, um centro de eventos, e um restaurante, além disso, há inúmeras vagas para carros e ônibus.
O curador do Parque explica que a Casa de Chá recebe em ocasiões especiais pessoas especializadas em servir o chá, igualmente como é servido no Japão.
A organização do parque, ou seja a parte estética, é feita pela própria população maringaense, que em datas marcadas vão ao Parque e realizam a limpeza da grama, plantio de mudas e outras alterações.
A gastronomia do Parque também é algo encantador, a cozinha está excelentemente projetada para captar os mais diversos tipos de eventos e satisfazer ate os paladares mais exigentes.
O Parque possui entrada franca, está aberto todos os dias da semana e é uma ótima opção para quem deseja se encontrar com a natureza, desfrutando de uma linda paisagem, ar puro e tranquilidade. Ideal para levar a família, amigos e excursões.