segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Trabalho de Garçom: Experiencia 2

Já abordei outras vezes o universo enigmático dos garçons. E nestas férias de 2016 trabalhei mais uma vez como garçom e barman no Villa- Bar, Restaurante e Pizzaria da Estância Turística de Joanópolis/SP.
Já estou acostumado e treinado para muitas das situações que os garçons vivenciam com os clientes. Mas, algumas ainda me deixam sem jeito e, nestas férias vivenciei duas que realmente eu não esperava passar.
A primeira foi que nós estávamos com a casa cheia e um determinada mesa pediu duas pizzas diferentes. Mas, para dinamizar os pedidos o carinha que faz as pizzas vai revezando as mesas, ou seja, se a mesa pediu duas pizzas, uma ira primeiro e, depois de atender outra mesa, a primeira mesa receberá a segunda pizza.
Mas, o que aconteceu foi que 2 pessoas da mesa iriam comer uma pizza e as outras 2 a outra pizza. Pois assim foi, as primeiras duas pessoas receberam sua pizza e as outras duas tiveram que esperar.
Porém, uma das pessoas que tiveram que esperar era uma senhora idosa. O fato inusitado aconteceu quando a mesma me questionou sobre a pizza que não vinha, ela me dizia que era descuido nosso, que já havia pedido há horas e que a dela era a única que não tinha chegado.
De certa forma a senhora levantou a voz, ficou irritada e um tanto quanto agressivo. Mas o mais interessante se deu pelo fato de que a senhora irritada começou a discutir com sua filha (que estava comendo) de quem era a culpa, do Garçom (eu) ou do carinha que faz a pizza.
Enfim, foi bem diferente ver uma discussão que me envolvia, virar para a mesa. Então estava eu lá, parado vendo as duas discutir, lembro-me de ouvir:
- A culpa é deles que não anotaram...
- Ah mãe a culpa é da cozinha que não fez o pedido, os garçons só anotam não fazem...
Pois é, a filha estava certa, eu estava isento de culpa, mas as duas discutiram ate a pizza realmente chegar e a senhora olhar para mim e dizer:
- É querido, a culpa não era sua mesmo....
A partir disto sai sem entender nada e continuei realizando meu serviço.
A segunda coisa é que havia acabado a laranja do estabelecimento e, uma cliente havia pedido um suco. Pensando nisso, fomos ao bar e vimos que tinha apenas 2 laranjas, suficientes apenas para meio copo de suco. Ai, fizemos o suco e levamos a mesa como forma de cortesia...
Mas a hora que eu deixei o copo na mesa e estava explicando que não tínhamos laranjas e que aquele suco era cortesia e, que a cliente poderia escolher outro..... Sem eu terminar de explicar o senhor que a acompanhava já veio me interrompendo dizendo que não ia pagar meio copo de suco e que aquilo era feio.... Pronto, confusão armada.
A minha sorte é que a senhora me auxiliou a explica-lo que não se passava de uma cortesia da casa e que não teriam que pagar.
Moral da historia, eles comeram, beberam e no final ainda nos deixou gorjeta...

Ser garçom pode te por em situações inusitadas, na qual você terá que ter jogo de cintura para sair, mas que sempre te dará boas experiências. Porem, o que pude observar é que ultimamente as pessoas andam partindo para briga antes de saber os reais motivos...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O Selfie com o Golfinho

Recentemente as mídias sociais (facebook, pinterest, twitter, instagram e etc), jornais e revistas foram bombardeadas com memes, informações, criticas e comentários sobre o famoso golfinho que foi retirado da água para prestigiar os supostos selfies dos turistas que por ali passavam.
O fato que foi noticiado é que no dia dez de fevereiro deste ano um golfinho foi encontrado no litoral argentino, especificamente na praia de Santa Teresita em Buenos Aires. A partir disto, surgiram noticias que mostraram que ao invés de salvar os turistas tiraram fotos e selfies com o mamífero que, por sua vez, veio a óbito.
Em contrapartida surgiram outras noticias, vídeos e fotos que alegam que o mamífero já estava morto e, que alguns turistas tentaram reanimar o animal.
Morto ou não, a notícia repercutiu na rede e gerou polemicas, sendo que a maioria dos internautas afirmava que os turistas foram intransigentes ao proceder de forma a tirar fotos com o animal. Nas fotos, aparecem pessoas segurando o golfinho e inúmeras tirando foto do mesmo, dificultando assim a análise do que estava ocorrendo.
Entretanto, as pessoas se alarmaram com o turismo de status que ocorreu por meio da figura do golfinho e também pelo impacto ambiental, mas se esquecem dos danos ambientais que ocorrem todos os dias nos parques naturais por conta da conduta predatória do turismo de massa.
Uma parcela considerável dos turistas riscam pedras, retiram flores, jogam lixo nas trilhas, alimentam os animais silvestres, pisoteiam a vegetação e muitos outros impactos que não são vistos como tão deploráveis pela imprensa e pelas mídias sociais.

Portanto, a morte de um golfinho, não é mais, ou menos, impactante do que um turismo predatório em um ambiente natural. A conduta preservacionista só depende de você.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

A marcha capitalista contra a cultura tradicional

Chapeu de Congada Foto: IX Festival da Cultura Tradicional Paulista-
Revelando São Paulo: Edição Entre Serras e Águas; Atibaia, 2016.
A história sempre foi um suporte rígido para entender o mundo no qual nos situamos atualmente. As manifestações culturais são, ou deveriam ser heranças de nossos antepassados, traços arraigados em nossa cultura e, em especial, ao nosso lugar natal.
Entretanto, qual seria o limite para o tradicional de uma região? Com a explosão da internet e a tão famosa Globalização as fronteiras se romperam, o cultural tradicional sofreu interferências, tornou-se universal, passível de ser visto e consumido pelos mais distintos povos de todos os cantos do mundo.
E isso influencia diretamente no que encontramos nos destinos. Basicamente, na atualidade é relativamente fácil ir à Bahia e encontrar o mesmo artesanato, com as mesmas características do que é feito no Rio Grande do Sul, isto é quando o mesmo não foi feito em um terceiro estado e incorporado nos demais como se pertencessem aos mesmos.
Observamos isso nas cidades litorâneas, pois vemos sempre as mesmas peças feitas de conchas, cola quente, tinta e papelão nas banquinhas de artesanato e, o que só difere é o letreiro dizendo “Estive em São Sebastião, Estive em Ubatuba ou Estive em Maresias e lembrei de você”. Claro que muitas vezes, e já vivenciei isto, de estar em Ilha Bela e ver um produto escrito “Estive em Cambuí e lembrei de você”.
O artesanato em suma, é o um dos fatores, contudo há outros que também possuem grande relevância quando tratamos da aculturação das coisas. As manifestações culturais são as mais afetadas pela marcha capitalista de consumo em massa.
Isso pode ser observado pelo carnaval, que não deixa de ser uma manifestação cultural popular, mas que ao longo dos anos foi sendo incorporado nas inúmeras cidades ao longo do território nacional. Um exemplo disto é ver o Axé no Sudeste, ou o Samba no Nordeste, e até o Frevo no Sul.
IX Festival da Cultura Tradicional Paulista- 
Revelando São Paulo: Edição Entre Serras e Águas; Atibaia, 2016.
Na conjuntura atual, a autenticidade das coisas está em um intenso embate entre o que traz mais turistas e dinheiro e o que visa resgatar, perpetuar e disseminar o patrimônio cultural tradicional.
Deste modo, o tão mencionado turismo consciente, não passa de um clichê utilizado pela minoria dos viajantes. Isto, considerando que deveria ser a maioria dos viajantes que possuem a preocupação com a comunidade local.
Os fatores podem ser invertidos também, vamos a outras cidades e prestigiamos coisas que não são tradicionais daquele local, não passam de encenação para turistas, mas isso pode ocorrer na nossa cidade, quando pessoas fazem o mesmo deslocamento para ver algo que não é real.

Mas, até quando iremos pensar no capital e recriar, criar e incorporar padrões, traços e culturas que não nos pertencem? Muitos afirmam que o Brasil não possui cultura, não possui identidade, porém será que procuramos o verdadeiro sentido de cultura nos ambientes corretos?


Matéria Publicada na Revista Bragantina On Line

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O turismo que sonhei um dia...

imagem retirada da internet
Que o turismo é influenciado por inúmeros fatores isso todo mundo já sabe... A razão disso pode ser atribuída ao fato que as pessoas guardam dinheiro para eventualidades, principalmente de saúde, mas mal sabem elas que muitos dos casos de doenças estão relacionadas ao estresse do dia a dia e falta de momentos de descanso (coisas essas que podem ser encontradas quando se viaja, mas enfim...).
Contudo, venho observado que o item de maior complicação no turismo não está nas crises financeiras, desastres ambientais, terrorismo, pressão politica, valorização cambial, desvalorização da profissão e outros fatores, mas o principal fator está nas pessoas que estudam e estão formadas no turismo.
Todos os problemas elencados acima poderiam facilmente ser driblados com criatividade, invenção e inovação (bem como a teoria da Ordem pelo Caos), porém, não são driblados e, pelo ao contrario, são empurrados com a barriga.
Mas tudo isso por qual motivo? Você já deve saber, mencionei há pouco. Os estudantes e formados em turismo não estão a fim de enfrentar os problemas, ressalvo raríssimas exceções que buscam transformações no meio.
Não vemos eventos que discutam o papel do profissional na sociedade, não vejo manifestações, abaixo assinados, greves, paralisações e outras mecanismos que chamem a atenção da sociedade. E quando vejo são pequenas, abaixo assinados com 1.000, 2.000 ou 3.000 assinaturas, eventos locais de pequena abrangência, ou, alguns nacionais que já ocorreram e que não tiveram continuidade.
Mas o problema é quem? Quem vamos culpar? Em quem vamos depositar a culpa de nossos atos? Quem será? E agora José?
A diferença parte de nós, bacharéis e futuros bacharéis em turismo. Se continuarmos sendo acomodados, desmotivados, difamando e mal representando nossa profissão, nosso setor, nosso trade, nada e nem ninguém fará por nós...
Então pense, essa luta é minha? Ou é do Outro?

Quer mudar? Então comece com um simples fato, pense mais e reclame menos, o mundo não precisa de mais seres que reclamam, o mundo precisa de seres que pensam para reclamar.