sexta-feira, 25 de março de 2016

Viajar na Crise

Com o dólar alto, um número significativo de desempregos em todo o território nacional e outros inúmeros fatores econômicos torna-se dificil viajar para fora do país e ainda mais para o exterior. Mas por conta disso devemos deixar de viajar ou sonhar com aquele destino que não sai do nosso coração?
A resposta é simples, temos que alterar o modo pelo qual realizamos nossas viagens. Talvez planejar de ultima hora, realizar poucas pesquisas e desejar destinos massificados não seja a melhor escolha para este momento.
Entretanto, escolher destinos mais alternativos, sem ser aqueles que todos querem conhecer, seja o primeiro passo para viajar na crise, pois um destino alternativo detém passagens aéreas ou rodoviárias mais em conta. Para driblar a crise, enquanto meio de transporte, basta escolher com antecedência e monitorar os sites das companhias aéreas para encontrar o menor preço, mas como já dito, isso deve ser feito meses antes da viagem para garantir ótimos preços.
Viajar em grupos pode ser uma alternativa viável para dividir as despesas com combustível ou transporte. Mas, viajar sozinho também pode te garantir inúmeros outros cortes no orçamento da sua viagem, pois viajando sozinho ou com mais uma ou duas pessoas, você pode usar e abusar dos solidários viajantes que oferecem caronas.
Já quando falamos em hospedagem é fato que ela é o segundo maior gasto de uma viagem, atrás somente dos transportes, esta por sua vez pode ser driblada por hospedagens alternativas, bem como os hostels, conhecidos também como albergues, que oferecem comodidade por um preço acessível, mas com algumas restrições de privacidade. Outra opção são as hospedagens solidárias, que são pessoas que abrem suas casas para viajantes.
Existem inúmeras dicas para viajar com baixo custo, mas o essencial é planejar com antecedência, pois assim as adversidades tornam-se menores.


Artigo publicado no Jornal O Registro: https://issuu.com/jornaloregistro/docs/360


quinta-feira, 17 de março de 2016

Apropriação da atividade turísticas em ambientes naturais: Um enfoque no Parque da Cachoeira dos Pretos de Joanópolis/SP


    A atividade turística tem sua vertente principal na apropriação da atratividade dos destinos, seja ela inserida no meio ambiente natural ou urbano. No meio ambiente natural, em especial, a atividade necessita de um enfoque cauteloso, versando sobre o impacto da visitação, bem como os rastros deixados por seus visitantes.
Nesta conjuntura o objetivo deste paper position é realizar uma explanação argumentativa sobre a atividade turística desordenada no meio natural, assim como as suas características e sua apropriação, tendo como objeto de estudo o Parque da Cachoeira dos Pretos, situada na Estância Turística de Joanópolis/SP.
A Estância Turística de Joanópolis insere-se em uma Área de Proteção Ambiental (APA) Piracicaba/Juqueri Mirim e, situa-se no estado de São Paulo, sendo pertencente a Região Bragantina e município limítrofe de Piracaia/SP, São José dos Campos/SP Vargem/SP, Estrema/MG e Camanducaia/MG (LIMA, 2008, p. 19).
O município possui dois geossistemas, Mares e Morros e Mantiqueira, é caracterizado por possuir belíssimas paisagens, bem como inúmeros atrativos naturais e, além disso, possui traços e manifestações culturais arraigadas dado o seu histórico de constituição (LIMA, 2008, p. 20).
Dentre seus inúmeros atrativos, o Parque da Cachoeira dos Pretos destaca-se por ser o principal atrativo turístico natural da Estância Turística. Com cerca de 154 metros de queda d’agua a cachoeira forma em seu percurso inúmeras piscinas naturais propícias para banho e contemplação e além disso, o Parque, por sua vez possui ampla infraestrutura de apoio ao turista, bem como sanitários, estacionamento, quiosques, restaurantes, lojas e outros bens e serviços (SOLHA, 2003, p. 98).
O Parque da Cachoeira dos Pretos situa-se a 18 km do centro de Joanópolis, o acesso é feito por uma via que foi pavimentada no ano de 2007. Inserido em uma propriedade particular, a porção na qual localiza-se a Cachoeira dos Pretos faz parte de uma Unidade de Conservação, caracterizada por uma Área de Proteção Ambiental, ou seja, permite o uso sustentável do espaço (SOLHA, 2003, p. 88).
Dado a potencialidade atrativa do parque, inúmeros turistas visitam com intuito de desfrutar de sua beleza cênica, mas sobretudo refrescar-se em dias de ensolarados de temperaturas altas. Destarte, o município atrai correntes relevantes de turistas nos fins de semanas, feriados e férias.
Entretanto, observa-se que o Parque da Cachoeira dos Pretos possuí uma ocupação turística desordenada, a começar pelos serviços turísticos existentes no local, como por exemplo o restaurante intitulado “Restaurante Cachoeira” ter sido construído a pouco menos de 5 metros do rio cachoeira.
O perfil dos turistas, em sua maioria, diverge dos princípios ecoturísticos. Uma vez que dado a massificação do ambiente, os turistas procuram os espaços com o intuito de usufruir do espaço para banho e fazer uso dos outros bens e serviços existentes no Parque (MASSA, 2012).
O ecoturismo surge como uma atividade intitulada de não-predatória da sua base principal de recursos que é a natureza e, assume a alternativa de geração de renda para as comunidades que são dependentes dos recursos naturais, mas, que fazem uso de modo a não prejudicar o ambiente e, tem como principal vertente a contemplação da paisagem (PIRES, 2012, p. 74).
Desta forma, os turistas que visitam o ambiente natural da cachoeira não possuem a preocupação em minimizar seus impactos e, também, não buscam refletir sobre a ocupação desordenada existente no ambiente e os impactos negativos que a atividade turística pode estar ocasionando a curto, médio e longo prazo.
Além dos impactos negativos que estes turistas ocasionam no ambiente natural, bem como o pisoteio da vegetação e a produção de lixo que acaba sendo deixada no local, cabe ressaltar, que as condutas de alguns turistas são imprudentes quando se refere aos ricos existentes na Cachoeira dos Pretos (BUNI, 2015).
Por conta da massiva visitação na parte baixa da cachoeira ou talvez pelo espirito aventureiro de alguns visitantes, a Cachoeira dos Pretos apresenta alguns ricos de acidentes para os visitantes mais exploradores, uma vez que dado a altitude de cachoeira, bem como a presença de briófitas nas rochas, por conta da umidade, as rochas ficam escorregadias, ocasionando assim quedas dos menos atentos.
A ocupação massiva também aumenta o risco de acidentes, isso porque as pessoas ficam sentadas nas rochas e impedem que outras pessoas se apoiem para transitar no espaço, ou seja, ao ocupar caminhos mais acessíveis restam aos demais turistas os caminhos mais íngremes e perigosos de acesso a cachoeira.
Os ricos de queda por conta da imprudência e pela a ocupação descabida do ambiente natural apresentam-se como fatores corriqueiros dos dias de alta temporada. Entretanto, o Parque da Cachoeira dos Pretos também foi palco de acidentes fatais.
Cerca de vinte e três pessoas, entre idosos, adultos, adolescentes e crianças já morreram ao tentar explorar os lugares menos apropriados da cachoeira. Uma parte considerável dos acidentes fatais ocorreram na parte alta da cachoeira, por conta da imprudência dos visitantes que não respeitaram os limites do ambiente natural (LEITE, 2014).
O risco de acidentes, bem como a visitação desordenada ocorrente no Parque da Cachoeira dos Pretos e a falta de segurança, resultou em uma nota do poder público municipal de Joanópolis que dissertou no site Portal Serra da Mantiqueira que não recomenda a visitação na Cachoeira dos Pretos, sendo que este é o principal atrativo que mais recebe fluxos turísticos e movimenta a economia da Estância Turística (BUNI, 2015).
Deste modo, levando em consideração a apropriação do ambiente natural pelo turismo, é possível afirmar que os turistas que frequentam o Parque da Cachoeira dos Pretos estão isentos de políticas de mínimo impacto e, sobretudo, não prezam em respeitar os limites do meio natural, características essas que refletem na personalidade do atrativo, ou seja, as condutas dos visitantes transformam o local.
Assim, deve-se prospectar cenários nos quais os turistas sejam conscientizados para entrar no meio natural e não o meio natural alterado para receber os turistas. Basicamente, entende-se que a transformação não deve ocorrer no espaço natural, mas sim na consciência dos turistas que visitam (PESSOA e RABINOVICI, 2010, p. 109).
A conscientização, por sua vez, pode ser realizada por meio de ações de Educação Ambiental, versando sobre os princípios do leave no trace e salientando a importância da preservação e do uso sustentável dos recursos naturais de tal modo que o uso no presente não altere o uso no futuro.
Portanto, embasado na apropriação de uso turístico do Parque da Cachoeira dos Pretos, entende-se que a forma em que o destino é utilizado poderia e pode ser transformada a partir de ações de Educação Ambiental com os seus frequentadores, pois são os mesmos que transformam a localidade. Além da Educação Ambiental visando o uso alternativo do Parque, a mesma pode ser utilizada para prevenir os visitantes em relação aos ricos de acidentes existentes.
Assim, bem como ocorre no Parque da Cachoeira dos Pretos, muitas das ocupações predatórias de turistas nos ambientes naturais podem ser interpretadas pela falta de conscientização ambiental de seus frequentadores, ou, por simplesmente falta de gestão e fiscalização dos órgãos competentes.

Referências
BUNI, C. Prefeitura de Joanópolis busca melhor segurança e menor impacto ambiental na temporada de verão na Cachoeira dos Pretos. Portal da Serra da Mantiqueira. 11 de mar. de 2015. Disponível em <http://www.portalserradamantiqueira.com.br/prefeitura-de-joanopolis-busca-melhor-seguranca-e-menor-impacto-ambiental-na-temporada-de-verao-na-cachoeira-dos-pretos/#comment-396> Acesso em: 03 de jan. 2016.
LEITE, L. Final de ano no camping do Zé Roque. A gente vai de mochila. 15 de jan. de 2014. Disponível em <http://agentevaidemochila.blogspot.com.br/2014/01/final-de-ano-no-camping-do-ze-roque.html> Acesso em: 03 de jan. de 2016.
LIMA, R. T. de. Percepção e cognição de problemas urbanos por adolescentes de Joanópolis. Rio Claro: Unesp, 2008.
MASSA, K. Escalaminhada na Cachoeira dos Pretos. Mochileiros. 22 de dez. de 2012. Disponível em <http://www.mochileiros.com/escalaminhada-da-cachoeira-dos-pretos-joanopolis-sp-t77055.html> Acesso em: 03 de jan. de 2016.
PIRES, P. dos S. Um contexto para o ecoturismo. In: __________. Dimensões do ecoturismo. Senac: São Paulo, 2002, p. 29-77.
PESSOA, M. A; RABINOVICI, A. Inserção comunitária e as atividades do turismo. In: NEIMAN, Z; RABINOVICI, A. (Org.). Turismo e meio ambiente no Brasil. Barueri: Manole, 2010, p. 105-123.
SOLHA, K. T. (org.). Plano diretor de desenvolvimento turístico de Joanópolis. Prefeitura Municipal de Joanópolis. Joanópolis: USP, 2003.


Publicado na Edição de Março da Revista Bragantina On Line: https://issuu.com/diegodetoledo/docs/revista_bragantina_-_mar__o_-_2016