quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A Terra do pé vermelho- Ribeirão Preto

Arvore de Chiclete
As pessoas vivem comentando que viajar para fora do Brasil é melhor do que viajar pelos nossos destinos. Mas, será que elas realmente sabem vivenciar os destinos brasileiros?
Recentemente tive a oportunidade de ministrar uma oficina no Sesc e consequentemente conhecer a tão falada Ribeirão Preto, seja sua fama dada por ser uma metrópole do interior, pelo Chopp Pinguim, pelo campus da USP ou por tantas e tantas outras referencias dessa terra dos antigos barões do café.
A Califórnia brasileira, como intitulada pelos locais, é mesmo muito quente! Claro que meu anfitrião errou suas previsões:
-Ah, desde que eu moro aqui nunca vir cair uma gota de chuva do céu em Agosto!
Pois bem, eu trouxe a chuva (rsrsrs). E por falar em anfitrião, é por isso que digo que muitos brasileiros não sabem aproveitar nosso país, pois muitos fazem um turismo meramente contemplativo no nosso país, ou seja, pouco se importam com a vida da comunidade local.
Turismo contemplativo por contemplativo eu concordo que ver as ruinas gregas é melhor do que ver a selva de pedra paulistana. Mas, quando se vivencia o espaço, o turismo deixa de ser o quesito capital e torna-se o quesito humano.
Por essa razão que a convite de meu anfitrião decidi fazer uso mais uma vez da Hospedagem Solidária (to ficando craque nisso rsrs). Já havia usado o mesmo modelo de hospedagem em Curitiba/PR e tive uma experiência incrível, logo, decidi apostar novamente.
Bom, de tantas historias que vivi nos 3 dias que fiquei em Ribeirão, deixe-me contar as mais curiosas e inusitadas que vivenciei.
Primeiro que ribeirão tem um ritmo que é só nosso! Calma, não é piada. A frota urbana de transporte publico intitula-se Ritmo e o cartão de embarque chama-se Nosso (que por sinal, sem ele não se anda no transporte publico, uma vez que os ônibus não tem cobrador). Logo, conclui, junto com meu anfitrião, que Ribeirão vive em um ritmo que é só nosso!
O que mais contar da terra do pé vermelho que tem uma rivalidade eterna com Franca/SP, que tem em uma das ruas do seu centro uma arvore de chiclete e que os ônibus andam alucinados no inicio da madrugada?
Fazenda Monte Alegre- Atual Campus da USP
Curiosidades, particularidades e características que não se pode ter conhecimento em apenas um dia de passeio pelos pontos mais visitados. O Quarteirão Paulista, o Teatro Municipal, a Praça XV de Novembro, a fazenda Monte Alegre e tantos outros locais que recebem visitantes que nem sequer sabem que naquela cidade há um ambiente multicultural pronto para ser explorado.
Não fiquei por muitos dias em Ribeirão, mas andei pelos grandes fluxos e também pelos roteiros alternativos, seja na Pizzaria Bela Dora, ou no Restaurante Canaã ao Bar A2 da tão querida amiga Clarice, pude vivenciar o estilo ribeirão-pretano.
E de conversas em conversas fui obtendo mais e mais conhecimento sobre essa terra, seja pelos taxistas que adoram conversar as pessoas que gentilmente contribuíram com suas opiniões em minha oficina.
Viagens vêm e vão, mas o que nos levamos no momento em que fechamos nossa bagagem não são somente nossos pertences, mas sim, um pedacinho de cada um que contribuiu com nossa permanência!

“Seu Ritmo, meu Ritmo e Nosso Ritmo!”
  

Agradeço imensamente ao Vitor, meu anfitrião, e um novo amigo que levo em minha bagagem por este mundo afora!

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A Encantada Brodowski

Sempre tinha ouvido falar de Brodowski, a então intitulada Terra de Portinari, mas nunca tinha tido o prazer de andar por suas terras.
Foto Acervo Museu
Mas foi ai que tive esta oportunidade. Em uma manhã cinzenta de uma quarta-feira partimos de ônibus de Ribeirão Preto\SP eu e meu anfitrião. Pouco menos de 30 minutos já estávamos chegando à cidadezinha.
Logo de cara, pelo ônibus, parece que estamos indo para o caminho errado, pois o Bus dá literalmente um tour pela cidade, desde os bairros mais distantes aos mais turísticos (mas tenha fé, uma hora ele para no centro).
Descemos em um ponto próximo ao centro, basicamente próximo a igreja de Nossa Senhora Aparecida. Ai visitamos a praça e fomos em direção a praça do Museu Casa de Portinari.
Logo na praça, como tínhamos acordado cedo, decidimos tomar uma café antes da visita e, acreditem, a Sol e Lua Cafeteria é um lugar charmoso, requintado e muito bem decorado que vale muito apena conhecer e se deliciar em seus quitutes. E o melhor, fica na esquina do museu.
Ao chegar ao museu o encanto se deu por si só. Encontramos uma atendente super simpática, a Andreia Simão, que supriu todas as nossas dúvidas e deu um show de conhecimento sobre Candido Portinari.
As instalações do museu são ótimas, tudo muito bem sinalizado, informatizado, explicado... Enfim, já fui em inúmeros museus, mas, me encantei com o de Portinari.
No museu existem afrescos, roupas, talheres, moveis e outras obras e objetos que fizeram parte do cotidiano familiar de Portinari. Mass, o melhor, é o jogo da memória, em um dos quartos foram instalados painéis interativos que como num jogo da memória, permite o visitante conhecer as obras mais celebres e, as nem tão celebres, de Portinari.
Como já disse tudo um encanto. O museu bem vazio, por ser dia de semana, a cidade com suas ruas de paralelepípedo com alguns carros na rua, pessoas conversando na calçada, o comércio de portas abertas e um movimento ligeiramente de interior.

Já para almoçar, o tão falado restaurante da Simone, que fica nas redondezas do museu, não pode ser descartado do seu roteiro, pois com uma decoração incrível e uma espetacular culinária de interior, o espaço oferece um ambiente aconchegante e amigável a quem passa por lá (de verdade, não deixem de conhecer).
Logo depois do almoço fomos para rodoviária da cidade, já com o coração se despedindo de cada canto de Brodowski. A estação antiga da rodoviária lhe remete aos tempos antigos, bancos de pedra, estruturas rústicas, estatuas e uma leve brisa de faroeste (pois é, a chuvinha ajudava a enfatizar a ideia de faroeste).
A cidade é maravilhosa, tudo muito perto, um roteiro a pé é fácil de ser realizado e muito bom de ser apreciado.
Só lembre-se de uma coisa: seguir os passos de Portinari é fazer o passado se tornar presente em um toque de pincel!

Boa Viagem!

Obs: A entrada no museu é gratuita e o acesso de ônibus de Ribeirão Preto a Brodowski é feito pela viação São Bento (ou São Lento, como dizem os locais),,,
Site do Museu Casa de Portinari: http://museucasadeportinari.org.br/

Me lembrei que antes de conhecer, já amava este museu, olha só uma postagem do blog sobre o 'Candinho": http://aartedoturismo.blogspot.com.br/2014/07/arte-e-turismo-museu-casa-portinari.html

O coração de mãe que sempre cabe mais um: a hospedagem solidária

Viajar sempre foi um desejo de muitos, mas por inúmeros fatores não é sempre que podemos sair por aí conhecendo os lugares, nos aventurando e conhecendo novas pessoas, seja por falta de tempo, motivos financeiros e tantos outros motivos.
No entanto, atualmente, vem ganhando força no Brasil a hospedagem solidária, muito conhecida também com a versão americana do Couchsurfing. A hospedagem solidária pode ser uma das alternativas para quem quer sair viajar e não deseja gastar muito.
Na atualidade, por conta das redes sociais, sempre conhecemos novas pessoas e desenvolvemos amizades a distância. O couchsurfing, bem como o facebook, instragram e demais redes sociais, possui o intuito de unir viajantes e pessoas que os desejam receber.
Nesse modelo de hospedagem você fica na casa de um anfitrião, vive sua rotina, seus hábitos e costumes. Mas é claro que não há a privacidade que temos nos hotéis e até nos hostels, mas o objetivo principal da hospedagem solidária e do couchsurfing é além de promover viagens para os necessitados, gerar interações entre pessoas.
Vivemos em um contexto no qual as relações se tornaram robóticas, as pessoas que nos atendem, seja nos hotéis, transportes e outros serviços e equipamentos turísticos, mal perguntam nosso nome e de onde nós viemos.
A cultura do consumo tem alargado as relações e restringindo-as a prática comerciais, esquecendo-se das bases da hospitalidade e, principalmente, da humanização das relações.
Deste modo, surge a hospedagem solidária para tentar driblar esse movimento e trazer ao turismo uma nova concepção de viagem. Conhecer a comunidade local é o primeiro passo para entender o espaço em que se visita, para que assim, se construa um turismo consciente e menos degradador.
E somente entendendo os locais, literalmente vivendo com eles, é que adquirimos consciência e experiências. A autenticidade das viagens só podem ser alcançadas quando vivenciamos a verdadeira realidade dos destinos.
Não há idade para viajar e fazer uso de hospedagem solidária, também não existe restrições etárias, pois basta encontrar o anfitrião que mais se encaixa em seu perfil. Apenas dois fatores devem ser presentes no espírito de quem se hospeda solidariamente: o respeito às diferenças e o conhecimento do seu espaço.
 Claro que ser precavido(a) é algo essencial, pois você ficará na casa de uma pessoa que você nunca viu antes, mas com um planejamento prévio, semanas de conversas com os anfitriões, os problemas tendem a diminuir.

Portanto, quando você viaja utilizando a hospedagem solidária, no ato de arrumar as malas o peso será maior, mas não devido às peças artesanais que comprastes, mas sim pelas inúmeras histórias, vivências e aprendizados que obteve neste período.


Artigo publicado na revista Bragantina On Line:
GONÇALVES, L.G.M. Hospedagem solidária. Revista Eletrônica Bragantina On Line. Joanópolis, n.58, p. 13-14, ago. 2016.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Meu Primeiro Voo

Pois é, pode até parecer algo estranho neste mundo onde todos são viajantes, mas eu nunca tinha voado antes.
Já conheço alguns lugares bem distantes: Joinville/SC, Morretes/PR, Foz do Iguaçu/PR, Feira de Santana/BA, Curitiba/PR e outros lugares, mas todos meus deslocamentos tinham sido de ônibus ou de carro.
Mas ai, surgiu a oportunidade de ministrar uma oficina no Sesc de Ribeirão Preto/SP e eu não podia deixar passar. Até me ofereceram ir de São Paulo a Ribeirão Preto de ônibus, mas eu tinha que experimentar o tão falado voo doméstico!
E assim foi, peguei um ônibus de Atibaia/SP com destino a cidade de São Paulo, peguei o metro até o terminal São Judas, chamei um táxi no Uber e logo estava chegando no Aeroporto de Congonhas.
Confesso que pensei que eu demoraria muito para embarcar, ainda mais com essas novas regras na Anac e etc. Mas, por incrível que pareça o aeroporto estava muito vazio. Algumas filinhas na Gol, outras na Avianca, algumas na Azul e algumas pessoas em minha frente na fila da Latam.
Fiz meu check in e fui despachar minha bagagem, mas de verdade, não demorou nem 10 minutos na fila do despache. Ai pensei comigo:
-HÁ, aqui deve estar mais tranquilo, deixa eu subir para a inspeção para sofrer um pouco.
Que nada! Não sei se é pelo fato de ser uma segunda-feira, no período da tarde, mas no hall de embarque não tinha muita gente, e na fila para passar no raio X, 5 pessoas em minha frente.
Achei engraçado a moça do Raio X:
- Por Favor, retirem os notebooks das bolsas, aparelhos eletrônicos e outros...
Acho que ela se decepcionou ao ver no meu scaner que em minha mochila só existia minha carteira e um livro....
Enfim. Desci para o saguão para esperar meu embarque. Massss, como sempre ocorre, estava eu no portão 13 e escuto alteração para o portão 7, lá me vou ao portão 7, ai mais uma vez, alteração para o portão 4. Bom, claro que eu fui (mesmo contrariado) mas me sentei e aguardei.
Começou o procedimento de embarque, entrei na aeronave, tudo muito lindo, muito pequeno, pessoas se ajeitando e, eu encantado com tudo, desde de a simpatia da comissária de bordo ao botão de inclinar a poltrona.
Os procedimentos de voo começam, informações, as máscaras que caíram do teto e tudo mais. Até que o voo foi autorizado que o avião começa a pegar impulso na pista. Senti um friozinho na barriga e quando menos percebi estávamos no céu.
Dia nublado em São Paulo que deixou minha janela por uns 5 minutos branca, até que vi o sol e as nuvenzinhas parecendo algodão e as casinhas que pareciam lego. Algo incrível de se ver.
Ai, começou serviço de bordo, pensei que iria ser O serviço, mas foi só uma bebida mesmo. Até porque o voo tem apenas 40 minutos, mas acredite, foi tempo suficiente para muita gente dormir.
Começamos o processo de pouso, (mal acabamos de decolar já estávamos pousando rs), ai foi uma coisa que só, o ouvido ficava tapado a pressão diminuindo até que tudo ia se ajeitando. Do alto já dava para observar a região de Ribeirão Preto.
Até que o piloto disse. – Obrigado por voar Latam, o tempo em Ribeirão Preto é bom, temperatura de 35º... Mas como disse meu anfitrião:
- Nunca vi o comandante dizer que o tempo em Ribeirão não está bom (srsrsr).
Por fim, esperei minha bagagem sair (mesmo acreditando que ela não chegaria até meus braços, resisti e a esperei)... Encontrei o anfitrião e fomos para a cidade.
Foi bom voar, mesmo sendo bem rapidinho, literalmente voei de São Paulo a Ribeirão, deu até para sentir o friozinho na barriga e a ansiedade crescer pelo próximo voo.